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sábado, 13 de dezembro de 2008

Os Chineses e seus Provérbios

O uso dos provérbios é quase obrigatório na cultura chinesa, numa conversa quotidiana ou num simples texto. O discurso ganha autenticidade e soa mais espontaneamente chinês. Para os chineses, os provérbios são sentenças concisas e prontas que todos conhecem.

Em geral, a origem dos provérbios é histórica ou literária, originados de registros ou obras consagradas da tradição chinesa. Portanto, há expressões que não podem ser entendidas sem conhecer o contexto histórico, seu autor ou os versos citados.

Os chineses usam ditados para tudo: para iluminar a ética ou criticar a falta da mesma no comportamento humano; em votos de felicitações; para descrever a Natureza e seu efeito sobre o Homem; e, é claro, para enaltecer valores intrinsecamente chineses (confucionismo, budismo, taoísmo).
A Natureza tem papel preponderante estabelecendo modelos de virtude e de sabedoria. Os Anacletos, de Confúcio, e o Livro das Mutações estão repletos de imagens evocando a Natureza e seus dons, incentivando o homem a assimilar tais princípios em seu comportamento.

"O céu é constante, a terra é duradoura." Tao Te Ching

Também na adversidade o uso de provérbios é frequente entre os chineses. Um ditado conhecidíssimo, com origem em um poema da dinastia Song faz alusão aos altos e baixos da vida humana:

"Montanhas e águas me cercam, sem saída; depois das sombras do chorão, vejo o brilho das flores e surge então outra vila."

A idéia dos ciclos de boa e má sorte é o sentido desse ditado que pode se comparar ao dizer de que "depois da tempestade, vem a calmaria."
Os animais, míticos ou não, são personagens de muitos dos ditados chineses. Dragões, serpentes, tigres, tartarugas, bois e cavalos. Um ditado que se tornou popular graças a Hollywood é "Dragão escondido, tigre sentado" expressa a descrição intencional de uma pessoa notável, mas reservada. É usado para elogiar pessoas que não gostam de ostentar seus dotes.

Por outro lado, a falta de talento e seu desperdício também contam provérbios:
"Tocar harpa para um boi" diz de um talento mal aproveitado, da pouca inteligência e capacidade. Os chineses, e em especial os confucianos, prezavam muito a educação e a formação pessoal. O processo de educação e a habilidade de um homem de conhecimento, instruído, foi um dos elementos fundamentais do pensamento confucionista e durante séculos o Império do Centro adotou esses conceitos na política e na administração da China. O impacto desses valores na cultura do país foi profundo e há centenas de provérbios que atestam seu efeito.

"Prefiro ser jade, mesmo partido, a ser tijolo, ainda que intacto." Confúcio

Fontes:
1.http://www.hottopos.com/rih6/chia2.htm
2.http://www.hottopos.com/videtur8/provchin.htm
3.http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/frases/proverbios-chineses.html
4.Tao Te Ching

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Considerações Sobre o Taijiquan Yang de Fu Shen Yuan

Comecei a praticar o Tai Chi aos 9 anos de idade. Graças aos ensinamentos e à orientação do mestre Yan Chen Fu e a mais de 70 anos de prática dedicada e constante, minha saúde tem sido sempre boa e consegui desenvolver o que se chama kung fu no Tai Chi, que significa grande habilidade ou destreza no Tai Chi.

A popularidade do Tai Chi como arte desportiva e benéfica à saúde tem crescido muito nos últimos anos. Os princípios do Tai Chi foram originalmente considerados sob a perspectiva de arte, mas agora são acatados como tendo base científica. O Tai Chi é tão profundo como arte quanto como ciência. Seu conteúdo é sutil e difícil de avaliar em profundidade. A compreensão dos seus princípios acontece em vários níveis diferentes de entendimento. Para se adquirir verdadeiro kung fu no Tai Chi é preciso praticar com empenho, de acordo com os princípios estabelecidos. Quanto mais se pratica, mais se compreende e maior a vontade de se exercitar.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Tuei Shou

Tuei Shou, ou empurrar com as mãos, marca uma virada no treinamento. Ele inicia o caminho para o uso combativo e os surpreendentes beneficíos para a saúde de um treinamento completo. Realizado com um parceiro, ensina o praticante de taiji a interiorizar ainda mais os requisitos e benefícios da prática correta. Executado em cinco níveis de dificuldade, empurrar com as mãos instila os requisitos do equilíbrio do yin e do yang, personificado pelo praticante Chen habilidoso.

Trabalhando em pares, os praticantes começam por aperfeiçoar os pontos básicos de relaxamento e distensão e uso da base correta pelo "dan tuei shou", que é horizontalmente circular e aplicado com um braço apenas. Nesse estágio inicial, as metas são os ombros afundados, a harmonia com o parceiro e controle da base. Logo em seguida, a continuação do empurrar com as mãos utiliza os dois braços e movimentação das pernas. No primeiro nível, huang kua, os ombros abrem e fecham os braços em três direções verticais enquanto mantém um contato fluído com o parceiro, tanto com os braços como na base. Ainda fixo, esse empurrar parado desenvolve uma maior percepção da postura, uso das pernas, sensibilidade e aplicação técnica dos movimentos do tronco. Os benefícios de saúde únicos ao tuei shou fica mais evidente nesse nível, quando surgem o aumento da força das pernas, a postura correta, o relaxamento e a habilidade motora ampliada.

O nível dois aumenta o contato físico entre os praticantes por introduzir uma combinação de movimentos circulares menores envolvendo o uso das duas mãos, que cobrem os antebraços e cotovelos do adversário. Chamado de ding bu, e mais conhecido do público, esse estágio revela ainda mais da aplicação de chaves (chin na), altamente desenvolvida no estilo Chen de taiji. Movendo os braços em círculos verticais num plano frontal entre os oponentes, a troca repetida de peso nessa movimentação sem passadas é fundamental para a introdução das passadas no nível quatro.

Movendo-se de lá para cá com um passo, hua hu apura ainda mais o treinamento dos praticantes em sensibilidade e na aplicação de chaves. Começando com o movimento característico do segundo nível, o braço é puxado para baixo e para o lado com um passo para trás - o braço é puxado por um praticante enquanto o outro, cujo braço é seguro e puxado, dá um passo adiante. Esse importante estágio do tuei shou introduz o afundamento, a passada, a distensão dos braços, técnicas que ao mesmo tempo que trazem benefícios para a saúde, são críticas para a aplicação marcial.

O quarto estágio avança para um nível exigente que condiciona os dois lados de um empurrar de circulo duplo e puxão em base muito baixa, com uma passada. Chamado de da liu, esse nível de tuei shou desenvolve as pernas e habitua o pugilista a empurrar e torcer com as duas pernas e braços, treinando a firmeza da base nas aplicações. Os benefícios para saúde de um treinamento vigoroso das pernas é óbvio, mas a importância do da liu no combate é enorme. Após aperfeiçoar esse importante estágio do tuei shou, os níveis dois e quatro se fundem no nível cinco. Nessa forma livre de tuei shou, o huang jiabu, paradas múltiplas em várias direções são combinadas com os puxões e pegadas das fases iniciais do tuei shou. O uso de movimentos específicos em padrões livres faz a ponte entre a aplicação prática e o combate livre no taiji quan do estilo Chen. Nesse estágio, os praticantes estão livres para aplicar técnicas variadas com rapidez, envolvendo sensibilidade, passadas complexas, puxões, chaves e finalmente, neutralização. Com o domínio desse estágio, o praticante voltado ao combate está pronto para praticar a luta.
Assista os vídeos ao lado.

Extraindo a força...

O Mestre Ren Guang Yi treinava vinte e cinco repetições da sequência Yi Lu Xin Xia por sessão de treino para desenvolver a enorme força física que hoje consegue demonstrar com tanta facilidade. Sua potência é mais evidente no refinado chan si qong. De acordo com o Mestre Ren, esse grau avançado de maestria do taiji é alcançado ao "extrair a força" em treinos pesados das sequências. Esses treinamentos desenvolvem a energia explosiva com força e flexibilidade - somente conquistadas com a habilidade natural, relaxada, mas controlada, numa execução que transita eficientemente entre as forças do yin e yang. Nesse estágio, a força é expressa em sutis movimentos circulares das diferentes partes do corpo, o que é típico de uma prática avançada das sequências. Essa troca dinâmica de extremos físicos é alimentada por um distensão das juntas, de impulso latente, tal qual uma mola. Isso permite que uma enorme força contida seja aplicada quando se realiza o fajing nas sequências. Tanto o corpo como a mente são temperados - sendo poderoso para a saúde, mas especialmente potente para a luta. Portanto, um treinamento rigoroso das sequências traz grandes benefícios para todos os praticantes. Para aqueles com a saúde em mente, entre três e cinco repetições são o bastante. Mas para o aluno que treina para o combate, o objetivo deverá ser entre dez ou quinze repetições, com a base baixa. Nesse nível, o treino das sequências responde a necessidades diversas - e é a chave para o domínio e compreensão da arte como um todo.

Além disso, o segredo para as aplicações fica mais claro com a prática seguida das sequências. Esse treino de sombra tem bom resultado para o praticante em sua análise e no vocabulário de técnicas de luta registradas nas sequências. Entretanto, é somente pela repetição que isso pode ser alcançado. Ao passo que o emprego da técnica se torna mais visível, o aluno estará pronto para trabalhar as aplicações - ele está pronto para empurrar(tuei shou).

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Combate Chen


Uma conceituação equivocada costuma minar qualquer admiração genuína pela potência das artes marciais chinesas. Isso é mais evidente quando se trata das artes internas. Alunos sem conhecimento e praticantes inexperientes fazem uma variedade de questionamentos e comentários que geralmente ficam sem resposta. Infelizmente, isso tem sido em prejuízo ao entendimento e apreciação do autêntico boxe chinês. Os alunos perguntam:

- O taiji é efetivo no combate? Como se aplicam diretamente aqueles movimentos graciosos? Qual é o segredo? Como posso condicionar meu corpo para o pugilismo chinês? Existe treino para combate direto? O treinamento das sequências é suficiente? O que significa "boxe interno", afinal?

Críticos insistem:

- Como um movimento aparentemente tão suave pode ser efetivo no combate? Sequências são uma perda de tempo. As técnicas não são mais efetivas no mundo atual. Por que você fica parado tanto tempo? Onde está a potência?

Para responder esses questionamentos, primeiro é preciso lembrar que as artes marciais chinesas, ou wushu, são para o combate. Isso não deve ser subestimado. O wushu tradicional é composto de estilos de pugilismo bem modelados através da história militar da China e do folclore popular. Concebido por líderes de estratégia militar, defensores dos vilarejos e templos, criminosos e guarda-costas, as artes marciais chinesas têm um só objetivo: combate. Como estilo original de taiji quan, o estilo Chen é um exemplo vivo dessa rica história marcial. Portanto, uma explicação do estilo Chen de taiji como ele deve ser - uma arte de combate - não apenas esclarece sobre a utilização do wushu, como também pode demonstrar a efetividade do boxe interno.

Tradicionalmente e de forma mais eficaz, o domínio do estilo Chen de taiji no combate livre começa com uma profunda compreensão da aplicação desse estilo. Criado por Chen Wang Ting, um respeitado general do século 17, o taijiquan Chen é uma forma de pugilismo com muita história, dentre os potentes estilos do Norte. Essa riqueza exige a maior atenção e uma prática dedicada na assimilação do conhecimento necessário para o domínio do estilo Chen em combate.


Conhecimento Necessário

Porque o estilo Chen é uma arte de combate completa?Ela possui um raro equilíbrio de chi na (chaves), quedas, saltos e golpes com as diferentes extremidades. Todas essas técnicas são desenhadas em torno da utilização única ao estilo da energia da espiral da seda ou chan si qong. Dirigida à cintura e alimentada por uma base enormemente poderosa, o uso concentrado do fa-jing, ou liberação da energia explosiva, é característica dos mestres do estilo Chen, como o Grão Mestre Chen Xiaowang. Essa explosão resulta de um chan si qong altamente desenvolvido. Considerado o nível mais alto que se pode alcançar no wushu clássico, o poder concentrado da espiral exige anos de treinamento. No estilo Chen de taiji, esse poder é altamente refinado e alimenta as técnicas de combate registradas nas sequências de treinamento da arte.

O treinamento das sequências e movimentos no estilo Chen de taiji é a "linguagem" da arte. Ele educa o praticante na recitação atenciosa de um bem desenhado dicionário de combate. Esse treinamento é crucial. É o condicionamento primeiro para o corpo e serve como base analítica para a tabulação mental e entendimento preliminar do conteúdo técnico do taiji. Enraizado numa luta que passou pela prova do tempo e que desenvolveu sua potência plena, as sequências de taiji exigem anos de prática repetida e supervisão de qualidade para dominar suas sutilezas.

Tanto para saúde como para o combate, o taiji Chen exige que o corpo alcance equilíbrio físico e mental, baseado na diferenciação do suave e duro, rápido e lento, pesado e leve, erecto e angulado: em suma, yin e yang. Como tal, o estilo Chen revela claramente a distinção entre essas extremidades; é a constante transição entre esses opostos que cria o enorme poder de um lutador de taiji instruído. A ciência por trás deste poder tem raízes na metafísica chinesa, embora não se possa chamá-la de mística. É, tão somente, a habilidade de produzir uma energia constante, fluída e flexível com o condicionamento do corpo para realizar com segurança movimentos numa variedade de cadências, ângulos e velocidades. E é pela prática das sequências que esta técnica de difícil execução, mas de alta eficácia, é realizada.

Eu e o Grandmaster Chen Xiaowang


1º Encontro com meu Mestre em 1998 no Rio de Janeiro.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Grão-Mestre Chen Xiaowang

Descendente de 19ª geração da família Chen de Chenjiagou, de onde se originou o estilo Chen de taijiquan. Chen Xiaowang é hoje diretor e técnico da Academia de Wushu na Província de Henan. Seu avô Chen Fake, seu pai Chen Zhaoxu e seu tio Chen Zhaokul foram todos mestres de taijiquan. Chen Xiaowang aprendeu a arte com seu pai aos 8 anos de idade. Quando cresceu, praticava a rotina cinco vezes pela manhã e também à tarde, numa rotina diária que manteve durante os 11 anos em que ajudava no trabalho da fazenda.

Conseguiu trabalho como representante de compras de uma fábrica de maquinário no distrito de Wenxian em 1974. Embora atarefado e obrigado a viajar constantemente, perseverou em seus treinos de taijiquan diários.

Numa ocasião, havia saído para comprar material de construção para sua nova casa no vilarejo natal. Simplesmente não conseguia achar tempo suficiente para praticar taijiquan. Enfim, desistiu da construção da casa que tinha a metade das paredes levantadas para continuar seu treinamento. Três anos depois as paredes inacabadas ruíram, mas o nível de seu taijiquan havia melhorado sensivelmente. Em 1980, esse descendente direto do fundador do estilo Chen foi indicado para técnico da Academia de Wushu da Província de Henan, por sua maestria em taijiquan. Naquele mesmo ano, representou a Província de Henan no campeonato nacional de wushu e conquistou o título de taijiquan. Nos anos seguintes, destacou-se como mestre inconteste, colecionando numerosos títulos em disputas nacionais e internacionais.

Em março de 1981, um grupo de japoneses visitava Henan. Chen Xiaowang derrotou três mestres japoneses em amistosos, e sua habilidade marcial foi muita apreciada pelos visitantes. Reconhecido como jovem proeminente na comunidade de wushu tanto em casa como internacionalmente, têm sido convidado para o Japão e Singapura frequentemente para passar seus ensinamentos. Além disso, muitos estrangeiros têm visitado Henan para aprender com ele. Chen Xiaowang tem realizado muito para a pesquisa e difusão do taijiquan. Sua forma simplificada do estilo Chen em 19 movimentos é considerada um padrão para iniciantes. De tempos em tempos é convidado para exibições e aparições na televisão. Os documentários "Uma Visita a Casa do Taijiquan" e "Taijiquan Estilo Chen", em que tem uma participação central, foram muito bem-recebidos pelo entusiastas de wushu.